Pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir. A propósito do programa de rádio
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30.8.03
 
ÍNTIMA FRACÇÃO
30 / 31 de Agosto

# Kraftwerk : Prologue
# Slowdive : Here she comes
# Alpha : Made in space ( samplers )
# Alpha : Saturn in the rain
# Lambchop : Bugs
# A Guy Called Gerald : The first breath ( slow IF mix )
# Angelo Badalamenti : Dinner Party Pool Music
# Lee Hazlewood : Try a little tenderness
# Jerry Orbach : Try to remember ( extracto )
# The Buggles : Video killed the radio star ( short remix )
# João Gilberto : Aos pés da cruz
# Beth Gibbons : Romance
# Cowboy Junkies : Blue Moon
# Departure Lounge : Equestrian skydiving

# Alpha : Sleepdust
# Alpha : Lipstick from the asylum
# Beach Boys : Let's go for awhile (instr.)
# Paddy McAloon : I'm 49
# The MDH Band : Funny face
# Ryuichi Sakamoto : Forbidden Colours (piano solo)
# Roger Eno : Through the blue
# Lambchop : Catapiller
# Martin Rev : Whisper
# Alpha : A perfect end

créditos sobre # Johnathan King : Everyone's gone to the moon
sampler TV "The song that never ends"

# Fantasticks : Try to remember
# Antenne : Memo

vozes de Roland Barthes e Marshall McLuhan

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29.8.03
 


Empurre a imagem. Abre-se a janela para ver e ouvir Lou Reed (live ) em palco, numa noite feliz de Julho.

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How can we hang on to a dream
How can it, will it be, the way it seems


Tim Hardin, no mítico e profético 66.


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Foram-me soletradas as sílabas que me levaram ao fórum que injustamente esqueci.

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Era então este o mês de Marte !? O momento que só há 60.000 anos se tinha visto.
Agora, Marte afasta-se. Não sei se é assim ou se somos nós que nos afastamos de Marte.

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I am telling myself the story of my life,
stranger than song or fiction.
We start with the joyful mysteries,
before the appearance of ether,
trying to capture the elusive ...


( Paddy McAloon - I trawl the megahertz )

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28.8.03
 
A propósito do farol que, ali em baixo, me tenta guiar até à costa, um marinheiro colocou nas ondas um belo álbum do galego Prado - " Traço de giz ". O trabalho de faroleiro está de acordo com uma escuta da IF.


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Talvez a IF seja uma série de microgramas.
Quando me descobrem, é difícil não me revelar.

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27.8.03
 
Na ÍNTIMA FRACÇÃO da noite, à procura de um sinal, da intimidade de uma esperança.




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RESISTIR. Acreditar no amor por aquilo que se faz.

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26.8.03
 
Compôr com sons, palavras, músicas e silêncios, deve ser o desígnio da RÁDIO.
Como qualquer obra, não partilhada, não faz sentido.

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25.8.03
 


Paddy McAloon - I Trawl The Megahertz

Aqui está um disco que faz acreditar em que o talento não morre.
Paddy McAloon é o génio-pop que criou os "Prefab Sprout". Operado aos olhos porque estava a ficar cego, durante a recuperação, na impossibilidade de ler, dedicou-se a ouvir rádio. A RÁDIO. A tal de que falavamos no post anterior. A de que falamos sempre.
Este disco é quase todo instrumental. O mais correcto será dizer que não é cantado. Só num tema surge ( e de passagem ) a melódica voz de Paddy. Tudo o resto se inspira nos sons da rádio, nas histórias da rádio.
Neste 2003 já marcado por tanta coisa má, aqui está uma coisa boa. Muito BOA !
Lembro-me das primeiras vezes que passei na rádio "Prefab Sprout". Na primeira metade da década de 80, o Gonçalo de Carvalho, na altura na BBC-Londres, enviou-me uns registos em banda magnética e depois os discos.
What happen to Gonçalo ? Depois de abandonar a BBC, sei que foi para Bruxelas. Lembro-me também que sonhava fazer mergulho no Mar Vermelho. Alguém sabe dele ? Devo-lhe (além da amizade) o ter-me proporcionado a primeira visão de neve a cair. Eram umas 6 da manhã e o Gonçalo bateu-me à porta : "não querias ver nevar ?". Subiu e fomos para a varanda ver os farrapos brancos a cair.


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Cito aqui um post do Professor Manuel Pinto, no Jornalismo e Comunicação.
" O apagão: Inquietante a fragilidade de um empório tecnológico; admirável a tranquilidade e bonomia nas ruas novaiorquinas; recorrente o medo de uma nova tragédia accionada pelo terrorismo. Tudo isto foi dito. O que não foi dito, ou pelo menos sublinhado, foi que o velhinho rádio de pilhas, o transístor, o auto-rádio, se tornou no meio de comunicação que pôde dar a informação que faltava, nas horas de maior aflição. Como escreve Alberto Dines, no último Observatório de Imprensa: «Considerado por muitos como um dinossauro em vias de extinção, o rádio foi a única fonte de informação capaz de atingir sua audiência. Em Nova York, uma cidade com sistemas de cabo com 500 canais e internet via banda larga, nada como depender de um radinho de pilha para colocar a vida moderna sob uma nova ? ou velha ? perspectiva».
As horas de maior aflição e a RÁDIO.
A proximidade da RÁDIO. A intimidade.
A inultrapassável característica. A essência da RÁDIO.

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24.8.03
 
Infelizmente não consigo responder ao comentário de Leandro deixado no post anterior.
Fui claro ?
Ainda sobre o post anterior, e para não vos inundar com mails, que por serem pessoais é porque os seus autores não querem que sejam tornados públicos, devo dizer que nem sempre foi assim, mas gosto que me tratem por tu.
Há quem me diga, "you are from another part of the world...". A IF, suponho.

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23.8.03
 
Daqui a pouco a IF.
A Íntima Fracção.
Corre o ano 20. Fazer 20 anos devia ser muito mais bonito.
A todos os ouvintes da IF, quero dizer que preciso de vocês. Sou eu que a realizo, mas sou apenas um de vós.
É verdade que nem "boa noite" digo. Mas será necessário ? Não poderei, ao fim de vinte anos, perguntar se algum de vocês me (se) sentiu longe no meio da noite ? Quanto valem as palavras (e músicas) exactas no lugar de "Boas noites" vazias ?
A distância nunca existiu. É esta a verdade da IF. É esta a causa do meu sofrimento.
"Pouco para dizer. Muito para escutar. Tudo para sentir."

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Três noites nas Termas.
Não encontrei as conversas animadas entre oficiais de alta patente na reserva e respectivas esposas.
Calma, sim.
Uma musiquinha de conjunto barato numa só noite. "Ansiedad" de Nat King Cole, foi o melhor que se pôde arranjar.
A única imagem de filme : um sobrinho espertalhão, cabelo penteado à anos 50, com "Brylcreem", passando uns dias com a tia velhinha. Ao jantar, numa mesa de amigas a "sopa e fruta", distribuia galanteios. Pelo menos cumpria a sua missão !


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20.8.03
 


" ... yourrr eyes arrre full of tearrrrs ... and my heart is full of sorrow ...
the orchestra is getting ready ... OH ! dance with me George ... " ( De-Phazz )

Durante uns dias vou mergulhar à procura de um passado que não conheci. Pode ser uma arriscada viagem à decadência, mas vou a umas Termas e não é pelas águas !

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19.8.03
 
Seguindo a sugestão de um leitor (ouvinte ?) da IF : alguém tem alguma gravação do "Em órbita" da primeira fase ?

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17.8.03
 


Lidar com a memória não é nada fácil. O passado é um território ausente, mas que ainda sentimos. Não é uma consolação dizer-se que enquanto a memória de alguma coisa existir, essa mesma coisa ainda existe. A propósito de "God only knows", a capa do disco que saiu em Portugal foi a da esquerda, aproveitando a capa do LP "Summer days", de 65. Em Portugal, como era habitual, foi um EP. Tinha 4 canções. Ainda não se estava na era dos singles. O LP (Pet Sounds) foi editado com a capa da direita.
Em 2002, Brian Wilson disse que quando compôs "Pet sounds" era " jovem e feliz ". De facto, tinha 24 anos. Deixou os restantes membros do grupo fazerem um "Japanese Tour" e dedicou-se a preparar tudo. Quando regressaram foi só gravar. Esta é uma foto desse tempo.



Veio depois um longo período de grande escuridão. Nunca mais foi capaz de actuar em palco, nem de viajar, nem quase de tomar conta de si. " Uma época assustadora que pensei não conseguiria ultrapassar ". Brian Wilson, era um ser sensível ( como podia ser outra coisa ? ). Psicológica e fisicamente arrasado ( resultado de uma nunca muito bem contada mistura de "aditivos" com "pânicos", ainda longe de serem explicados ) Brian tinha este aspecto quando a vida começou a correr mal ( a obsessão pela resposta a "Revolver" dos Beatles foi conseguida, mas "Smile", que devia ser a "Sargent Pepper ..." nunca mais teve fim).



Vinte e tal anos depois, aparentemente, a recuperação em 1988. Um terapeuta polémico, que assinou todas as músicas em parceria com Brian, no álbum de regresso, teria sido o responsável. Incluindo a factura dos direitos ... Só em 1995 é que Brian terá "regressado" totalmente. E mesmo assim, julgo que o apoio do público foi o melhor tratamento. Chegava a ser comovente como Brian agradecia, admirado, as manifestações de agrado incondicional nos espectáculos que começou a fazer. Para a tournée de 2004, do até agora previsto, o mais perto que vai estar é em Paris (Olympia, eterno ...) e em Antuérpia - Março 04.
Eu gostava de agradecer a Brian Wilson.





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Confesso que é um pouco obsessivo.
Tal como a sucessão dos dias e das noites, das estações do ano, este é um disco que parece ter sempre cores diferentes.

A propósito de se dizer que "God only knows" ( Brian Wilson - Tony Asher ) - 1966, dos Beach Boys, foi a primeira canção dita Pop que levou a palavra God (Deus) no título, lá me pus em navegações pela Net. Até agora, não encontrei nada em contrário. O próprio Brian o afirma. O que encontrei foi a indicação de que o single com "God only knows / Wouldn't it be nice" foi posto à venda a 1 de Agosto de 66. Ora o histórico programa da rádio portuguesa "Em órbita" (RCP), tocou-o nesse mesmo mês. O facto, hoje, é normal. Naquela altura não era. O disco estaria à venda nos EUA, provavelmente na Grã-Bretanha, mas aqui não. Diz-se que o "Em órbita" contava com a colaboração de elementos da tripulação de voos internacionais de forma a ser abastecido de ... discos. Por aqui se vê a distância a que estamos dessa época e também a enorme vontade da equipa do "Em órbita" em fazer um programa de rádio muito para além do que era habitual em Portugal. Foi "o" programa de rádio onde gostaria de ter trabalhado. Como não tinha idade, tal como o guitarrista amigo de Sam Shepard, limitei-me a ouvir a música e as vozes de Cândido Mota, de João David Nunes ou até mesmo, numa fase seguinte, de Rui Pedro. Escutei, como se participasse numa cerimónia religiosa, o último "Em órbita" da primeira fase. Foi fúnebre, mas ao mesmo tempo redentor. O "Em órbita", em 1974, já só com Jorge Gil, regressou como um programa sobre música clássica ( talvez o termo mais exacto seja erudita ). Estive à escuta logo no primeiro. E depois foi e veio, mudou de estação, criou concertos e, de rádio, passou a "um conceito". Para sempre.

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ÍNTIMA FRACÇÃO
16 / 17 de Agosto de 2003

# Múm : Sleep - swim
# Brokeback : This is where we sleep
# John Cale : I keep a close watch
# Tears for fears : Brian Wilson said
# Beach Boys : sons das gravações em estúdio de Good Vibrations
# The Flying Lizards : Tears
# Pretenders : I go to sleep
# Goldfrapp : utopia ( miss world remix )
# Goldfrapp : Pilots
# sons da banda sonora do filme " As férias do sr. Hulot " de Jacques Tati
# Alpha : Roy
# Brokeback : In the reeds

( longo tema de acerto para o fim da 1ª parte que não constava do registo original da IF )

# Loudon Wainwright III : Motel blues
# Fanny Ardant : A quoi sert de vivre libre
# Jeanne Moreau : India song
# Emilie Simon : Femme fatale ( com Tim Keegan )
# Propaganda : Femme fatale ( the woman with the orchid )
# Nick Cave : Far from me
# Calla : Astral
# Montgolfier Brothers : Inches away
# Frankie Goes To Hollywood : ( do you know the way ) To San Jose
# April March : La piscine couvert

créditos finais

# António Carlos Jobim : Wave

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16.8.03
 
Memórias para ver e ouvir.
Do Verão de 2002. Lambchop, numa noite calma de Agosto, em televisor encontrado a funcionar sózinho.
Do Verão de 2003. Sakamoto e Morelenbaum. Calma e morna noite, num Jardim.
Tudo antes do cinzento que esfumou o azul.

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15.8.03
 
When you wish upon a star

When you wish upon a star
Makes no difference who you are
Anything your heart desires
Will come to you



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14.8.03
 


# Alpha : Stargazing

Resistência.

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4 : 30 da madrugada.
Saio do estúdio para, finalmente, encontrar um pouco de ar fresco. Caminhando contra a brisa, pareceu-me que tudo era ainda possível.
Ficou pronta mais uma edição da IF. Normalmente, demoro alguns dias a prepará-la, incluindo pesquisas, escutas prévias, procura ( ou escrita ) de textos e edição. Alguns programas demoraram muito mais. A construção da emissão que ficou designada por " You only live twice - IF mix ", demorou dois meses a preparar. Foi preciso encontrar uma grande variedade de versões, para além de extractos da banda sonora do filme e até um velho spot promocional radiofónico.
Como se fosse um diário ( neste momento não me interessam minimamente as discussões e reflexões sobre o papel dos blogs ), porque o blog da IF é escrito para quem se interessa pela IF, também para todos os que se interessam por mim ( obrigado pelos mails ) e, já agora, também porque preciso de o fazer "por mim" - "para mim" ( ou será que os bloguistas estão convencidos que cumprem um desígnio superior qualquer ? ), reforço a ideia de que se vive um mês de Agosto como nunca houve, ou então já não há memória.
Talvez porque não posso fazer quase nada por alguém que chora pela irreversibilidade da doença de alguém que ama ( como te percebi Cândido Mota, quando "rebentaste" no Passageiro da Noite ). Talvez ainda porque "ouvi" alguém que amo, noite adentro, fugir esbaforida do fogo que lhe cercou os míseros dias de férias. E, até, por ver o envolvimento do refúgio da IF, de verde passar a negro. ( recordar )
Talvez estas sejam justificações. Mas há um sentimento de tristeza generalizado que é, para já, inelutável.
No entanto, o filósofo António Pedro Pita ( tão pouco citado pela intelectualidade portuguesa ... porque ainda novo ? ... porque ainda vivo ? ), referindo-se ao futuro, disse-me numa das conversas da série "Os desafios do milénio" ( TSF - 96/97 ; editadas pela Quarteto - 99 ) : " As coisas se não se passaram, provavelmente também não se passarão exactamente como está previsto, e há sinais que nos conduzem para uma espécie de reconsideração dos elementos compreensivos do mundo, nos quais eu vejo, apesar do banho apocalíptico em que estamos, os meios de prosseguir esta aventura. "


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A vulnerabilidade é cada vez maior.

" O optimismo tecnológico e científico desmoronou-se, enquanto as inúmeras descobertas eram acompanhadas pelo envelhecimento dos blocos, pela degradação do meio ambiente, pelo apagamento progressivo dos indivíduos. "

Ainda a recuperação de Lipovetsky.
Neste triste Agosto, o título do livro não me sai da cabeça : A ERA DO VAZIO.
E a frase " pelo apagamento progressivo dos indivíduos " deixa um vazio absoluto na noite. Só se foge, quando se tem para onde.

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12.8.03
 


São estes os bonecos Daruma.
Ao longo dos anos, falados na Íntima Fracção, partindo de um texto de Barthes em " Fragmentos de um discurso amoroso ". Bonecos sem pernas, sem braços e sem olhos, que sofrem incessantes piparotes mas que, finalmente, retomam o seu equilíbrio, estabilizados por uma quilha interior. O poema japonês que os acompanha diz isto : " Assim é a vida. Cair sete vezes e levantar-se oito. "
São dos mais populares talismãs no Japão. Acredita-se que dão sorte.
A maior parte são bonecos, mas há cidades onde são bonecas.
O tamanho original não é nada pequeno, talvez parecido com um cesto para papéis.
Bem sei que não estamos no Japão, mas talvez uma remessa de Darumas viesse a calhar. Quem quiser pedir uma ajuda pode fazê-lo pela internet ...


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11.8.03
 
O excesso de calor, além de me ter avariado a mim, avariou também uma (pequena) parte do equipamento do estúdio-IF. Pequena parte, mas fundamental. O "mágico" João Guedes, desta vez não conseguiu o milagre. "Vai para arranjar". Fui salvo pelo empréstimo precioso feito pelo João Moreira. Como trabalha com o "som de palco" do David Fonseca, apanhei-o em cheio, pelo telemóvel, quando ele vinha do Sudoeste. E fiquei para aqui a pensar que há muita gente que julga que esta vida ( dos espectáculos, da música, ... até dos media ) é só trólaró ! Como estão enganados.

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Atravessando sozinho o deserto, transportando-se a si mesmo sem nenhum apoio trascendente, o homem actual caracteriza-se pela sua vunerabilidade.

Esta constatação, com 20 anos, vinda das reflexões de Lipovetsky na "Era do vazio", foi a base para a criação do programa de rádio "Íntima Fracção".
Verifico que quase nada se alterou. Na noite, o céu do deserto é por vezes riscado por estrelas cadentes, pela vinda do cometa que só voltará para os filhos dos filhos dos nossos filhos. Há luares. Promessas de auroras suaves.

É verdade que alguma coisa mudou, mas a vulnerabilidade é cada vez maior.

Sinto também necessidade de dizer que a IF é a forma que encontrei para me opôr a isto : " ... Não tomar partido, não se meter em política, não discutir, não votar, não se manifestar é ... a expressão máxima da ideologia dominante."





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10.8.03
 
ÍNTIMA FRACÇÃO
9 / 10 de Agosto de 2003

# Múm : Sleep - swim
# Múm : Green grass of tunnel
# Cocteau Twins : Lazy Calm
# Lou Reed e Laurie Anderson : As we sleep
# Erlend Oye : A while ago and recently
# Jeanne Moreau : India Song
# Carla Bruni : La noyée
# Keren Ann : On est loin
# Lambchop : The new cobweb summer

# Beach Boys : God only knows ( só vozes )
# Tha Langley Schools Music Project : God only knows
# Múm : Faraway swimming pool
# Doors : You're lost litle girl
# Nina Nastasia : Stormy weather
# Koop : Waltz for koop
# Radar Brothers : Sisters
# Suicide : Cheree
# Yo la tengo : The summer
# Ed Harcourt : From every sphere

créditos finais sobre # Swing Out Sister : Am i the same girl
música suplementar # Third Eye Foundation : What is it with you

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9.8.03
 


Quando, há uns meses, comecei a passar na IF músicas da Carla Bruni, quase que advinhei o que aí vinha. Afinal, foi pior.
O disco da Bruni já vinha com o peso de ter sido "duplo de ouro" em França. O facto é difícil de entender. O disco não é tão bom e, sobretudo, não é tão mau como deve ser um "duplo de ouro".
Confesso que não conhecia a Carla Bruni e isto quer dizer que não sabia mesmo que ela era ( é !? ) como era ( é !? ). Em linguagem "revolucionária em curso" ... é o exposto !
Depois vim a saber que tinha sido modelo topo-de-gama. E que vendeu bem. Só em 1998, quando tinha 30 anos, facturou qualquer coisa como 7,5 milhões de euros. Ainda por cima não precisava dos euros para nada. Nascida em Turim, é herdeira de uma confortável fortuna proveniente das indústrias da família. Foi para Paris aos 5 anos. Andou numa escola na Suiça e, de volta a Paris, foi estudar Artes e Arquitectura na Universidade. Quase no princípio, com 19 anos, abandonou e seguiu a carreira de modelo que, como é habitual numa mulher bonita, nunca lhe tinha passado pela cabeça ! Depois, foi quase tudo quanto alguém do meio pode aspirar, penso eu ... e não é "de que", é mesmo "que". Que Carla Bruni para além de "passar" para as mais célebres marcas e ser das modelos mais fotografadas de sempre ( infelizmente alguas fotos são vulgares ... ), também passou pelos tablóides e revistas pink. Porquê? Dizem que estragou o casamento de Mick Jagger ( qual ? segundo ela, Jagger teve 7.000 namoradas ). Romances com Eric Clapton e até com Kevin Costner, ajudaram. Ah ! e nunca casou. Tem uma irmã que faz cinema, amigos, uma bela penthouse em Paris e uma casinha de férias em St. Tropez. E uma guitarra ... Enfim, uma belíssima imagem para o "marketing".
Só que, e há sempre um "só que" à nossa espera em qualquer lado, a Carla Bruni, para mim não existia. Toda estas histórias, mais ou menos "real estate", ainda bem que nunca me tinham passado pelos olhos. Pelos ouvidos passaram-me músicas do Cd "Quelqu'un ma dit". É óbvio que sussurra porque não pode fazer outra coisa. Se experimentarem ouvi-la num duo com Laurent Voulzy ( Tout les garçons et les filles ), lá se vai a Carla Bruni. Só que não é por causa dos sussurros que eu gostei do disco ( ou para ser mais sincero, de uma parte dele). Este trabalho não tem uma produção de alta costura. É simples. Tem bom gosto ( e nem vou explicar porquê ). Há, evidentemente, uma recuperação do ambiente "chanson naïve" que remete para a nostalgia de Françoise Hardy e até para, em algumas passagens, a boa tradição da canção francesa de autor. Não está tão sózinha como parece. Keren Ann está na mesma linha. E ainda por falar em mulheres bonitas, a fabulosa monegasca, Fanny Ardant, também sem saber cantar, interpreta com um enorme charme elegantemente contido, o blues " A quoi sert vivre libre " do filme "8 mulheres".
Posto isto, duas conclusões :
Carla Bruni não vai vender em Portugal na mesma proporção do que vendeu em França;
prefiro a Bruni na rádio do que as Spears, Aguilleras e ...... cada um que acrescente o que quiser.
Da Bruni fica qualquer coisa. E honra lhe seja feita : é pelo som e não pela imagem.

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8.8.03
 
Uma pequena contribuição para tentar perceber alguma coisa no meio dos "num fui eu" ! Um bocado mais completo aqui.


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Pode parecer estranho. Antigamente não havia nada disto, não é verdade ? Pois em 1953 já havia calor e ... AR CONDICIONADO !
Como na intimidade deste pequeno estúdio privativo da IF só há ventoinhas, a conclusão é irrefutável : estou com 50 anos de atraso ...


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Um verdadeiro serviço público !
As ventoinhas da IF são gratuitas e já estão instaladas em muitos blogs.
Tentei avançar com mais umas ideias, mas não resultaram. Como podem ver, dotar este blog de gelo permanente, não resultou.


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7.8.03
 


Há sempre muita coisa a acrescentar. Não ao post anterior, mas a todo o blog.
Com uma nova subida da temperatura, o mais acertado é acrescentar ainda mais uma ventoinha !

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6.8.03
 
O Pedro Caeiro, do Mar Salgado, deixou um comentário para corrigir o meu post anterior. As minhas desculpas ao Pedro e a todos os passantes. O Pedro falou em "traficante de pedras preciosas". Eu reduzi as pedras às pérolas. Não foi com a embalagem da traficância, que bem as podia revender a bom preço, desde que as comprasse em sítio manhoso longe do Hotel Lisboa, de Macau. Nada disso. O problema está no ar condicionado. Ou antes. Na falta dele. Este pequeno estúdio onde se desenha a IF, tem sobrevivido à custa da ventoinha. Assim, os sons e as palavras andam disparatados pelo ar e, com frequência, caem no lado errado do teclado !


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O Mar Salgado atribui-me a designação de traficante de pérolas preciosas.
Para o bem e o para o mal ... gosto desta actividade !


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5.8.03
 
Compilação de Verão. 54º à sombra.
Para espreitar através de uma janela indiscreta.

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4.8.03
 
As férias tornaram-se uma triste ilusão com a qual se sonha durante meses.
Já não deslizo sobre as águas. Já não vejo o mar ao pôr-do-sol, nem descubro os últimos a sair da praia.
Já não como gelados seja em Cascais, na esplanada da Figueira ou numa gelataria apinhada do Algarve.
Já não canto o "tube" deste ano ( até porque não há UM ).
As férias estão cercadas pela vida, os imponderáveis e pelo tempo. A meio entre o interior queimado e o litoral superlotado.
O Verão deixou de ser um tempo de projectos. Deixou de ser a época das paixões.
As férias não são mais "on the road" e muito menos de "cabelos ao vento", porque cada vez há menos dinheiro para carros descapotáveis. O espírito do filme italiano " A ultrapassagem ", está, claro, ultrapassado.
As férias são agora retratadas por milhares de pessoas a empurrarem-se para tentar entrar nas festas das revistas !
As férias são aquilo que o destino quer e nunca o que se sonhou.
A angústia vem de querermos agarrar o Verão e de ele fugir com as férias.
"Pela restituição do Verão aos cidadãos de boa vontade ... ".


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3.8.03
 
ÍNTIMA FRACÇÃO
2 / 3 de Agosto de 2003
( entre as 0 e as 2 horas )

# Yo la tengo : The summer
# Yo la tengo : How to make a baby elephant float
# Sakamoto com Paula e Jacques Morelenbaum : Vivo sonhando
# Lisa Germano : Into the night
# Antenne : Memo
# Kaada : Care
# Lou Reed : Perfect day ( never ending IF mix )

# Keren Ann : La disparition ( instr. )
# Keren Ann : La disparition
# Laurie Anderson : Life on a string
# Montgolfier Brothers : Fin
# Montgolfier Brothers : Even if my mind can't tell you
# Piano Magic : Dark secrets look for light
# Trash Can Sinatras : To sir, with love
# House of love : Hope
# Lambchop : Backstreet girl
# John Parish : Shrunked man

Textos

" A memória e as expectativas. A nossa vida encontra-se entre as duas. " ( Cristina Fernandes )
" Balouçado ... na sensação das ondas, embalado ... na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã, de pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas, de não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali, em cima da cadeira como um livro (...) ali deixado.
Afundado, num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono, irrequieto tão sossegadamente, tão análogo de repente à criança que fui outrora ... quando brincava (...) e não sabia álgebra, nem as outras álgebtras com x e y's de sentimento.
Todo eu anseio por esse momento sem importância nenhuma na minha vida, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos - aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender.
E havia luar e mar e a solidão. " ( Fernando Pessoa - Poemas de Álvaro de Campos )

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Sem que eu tivesse tido conhecimento antecipado, a IF desta noite passou entre as 0 e as 2 horas.

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2.8.03
 


O País arde. Em temperaturas e com chamas.
O fogo purificador não é este. Não arde nem a maldade, nem a estupidez, nem a ignorância.
Os bronzeados do costume, de sapato de sola sem meia, com camisa fresca de marca e de frente para um copo cheio de gelo, dirão : " Uma tragédia ! ". Mas haverá sempre um que, para alegrar o ambiente, lançará a última desta gente de perfume caro ( mas enjoativo ) : " Ao menos passámos a ter também a nossa Floresta Negra !!! ". Ah ah ah ah , grande gargalhada no bar do hotel em frente ao mar. Estava salva a noite.
Um ou outro ainda se vai lembrar da velha canção dos Doors : Light my fire.
Subirão aos quartos acompanhados pelas suas barbies. Os carrões estão no fresco da garagem subterrânea.
Ligam o ar condicionado, mas evitam ligar a televisão.
No dia seguinte, ainda haverá uma pequena discussão à borda da piscina. Trata-se de saber se o fogo é de esquerda ou de direita. E as férias continuam animadas ...

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