Pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir. A propósito do programa de rádio
ÍNTIMA FRACÇÃO OUVIR ON-LINE ou PODCAST

 


>
Íntima Fracção
> um programa de Francisco Amaral
>
> Contacto:
franciscoamaral@gmail.com


> RSS Feeds

>
Arquivos
12/2002
01/2003
02/2003
03/2003
04/2003
05/2003
06/2003
07/2003
08/2003
09/2003
10/2003
11/2003
12/2003
01/2004
02/2004
03/2004
04/2004
05/2004
06/2004
07/2004
08/2004
09/2004
10/2004
11/2004
12/2004
01/2005
02/2005
03/2005
04/2005
05/2005
06/2005
07/2005
08/2005
09/2005
10/2005
11/2005
12/2005
01/2006
02/2006
03/2006
04/2006
05/2006
06/2006
07/2006
08/2006
09/2006
10/2006
11/2006
12/2006
01/2007
02/2007
03/2007
04/2007
05/2007
06/2007
07/2007
08/2007
09/2007
10/2007
11/2007
12/2007
01/2008
02/2008
03/2008
04/2008
06/2012
05/2015
04/2016
09/2016
12/2016
04/2017

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

 



 

 

 

3.2.07
 

3 de Fevereiro de 1927


Há 80 anos, no Porto, deu-se a primeira revolta a sério contra o regime saído do 28 de Maio de 1926. O movimento foi contido. As movimentações de tropas, tendo motivações políticas por parte de quem as decidia, fazia-se no terreno por homens que tinham da condição militar uma inabalável postura no cumprimento do dever. Maria Manuela Cruzeiro, depois de recolher horas e horas de depoimentos dos intervenientes no 25 de Abril, notou o mesmo.

A 3 de Fevereiro de 1927, o meu avô materno, capitão Eduardo de Albuquerque, republicano convicto, tendo recebido ordens nesse sentido, comandou uma coluna militar que desceu a Serra do Pilar e, enfrentando o fogo disparado da margem norte, atravessou o Douro através da ponte D. Luís conseguindo entrar no Porto e dominar a revolta.

Há notícias de como sangrento foi este embate.

Li há poucos anos uma carta que lhe foi dirigida elogiando a sua bravura no feito. Para ele não tinha sido mais do que o cumprimento do dever. Não podia ser de outra forma. Acabara de ajudar a manter um regime político que, mal ele sabia, quase toda a família viria a combater e, parte dela, a sofrer-lhe as consequências.

Nessa noite, na sua casa de Santa Clara, em Coimbra, a minha avó, sem acesso à informação sobre o que realmente se passava, desesperava. Alguém lhe disse que um "praça" que o acompanhara, tinha casa no Almegue. Procurou-o, acompanhada pela minha tia Mi, e foi encontrá-lo acabado de chegar do Porto : "... esteja descansada, deixei há pouco o meu capitão são e salvo, de botas descalçadas, a descansar em Campanhã".
E foi assim, como um pesadelo que passara, que terminou o 3 de Fevereiro para a família da minha mãe. Afinal, ia começar tudo.

Para mim é um fascinante mistério o facto de vários membros da família terem cruzado assim a História. De outra forma, essa mais trágica, já o meu bisavô, pai da minha avó, está escondido algures na nossa História por alturas do regicídio.

Talvez fique para um próximo capítulo (post).

0 Comentários
início