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31.7.06
 
Eu aqui a olhar o mar e ao mesmo tempo, também não longe do mar, 30 crianças morrem no mesmo local (de abrigo ?), como consequência de um bombardeamento.

Há uma guerra entre dois países por causa de dois soldados raptados. Não sei bem se foi só isto ... foi o que ouvi. Sei muito pouco sobre aquele conflito. Descubro todos os dias novas informações.

Podia ter lido milhares de páginas, mas há sempre algo que escapa. Mesmo que já tivesse nascido quando tudo começou, de nada me serviria tentar compreender o que se passava. Agora, não quero. Sinto um enorme desprezo por povos que se guerreiam há tanto tempo.

Deve haver razões fortes dos dois lados. Claro. São seres humanos. Pensam.

No meio da guerra, há sempre lamentáveis (trágicos) erros. O de hoje foi mais um. Bem que avisara o jornalista que, regressado de um dos países onde foi a convite do seu governo, garantia que os seus soldados não eram super-homens. Eram humanos. Também se enganavam.

Enganam-se. Enganam-nos.

Mas eu vi a menina morta nos braços de um socorrista. De cabelo apanhado. Como se tivesse adormecido ao colo do pai. Quem lhe terá apanhado pela última vez o cabelo ? Ela ? A mãe ? Uma irmã ? Uma avó ? O pai certamente que não. Os pais das meninas de 6 anos que morrem de cabelo apanhado, apanhadas pelas bombas, há muito que se devem ter feito explodir em direcção ao paraíso. Se não fosse assim, eles não deixariam que as meninas fossem apanhadas e mortas de cabelo apanhado pelas bombas lançadas por exércitos corajosos. Humanos, logo, falíveis. Sempre demasiado falíveis.

Eu sei quem, esta manhã, apanhou o cabelo à menina morta que passou à minha frente nos braços do socorrista.

FUI EU.

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