Pouco
para dizer, muito para escutar, tudo para sentir. A propósito
do programa de rádio
ÍNTIMA FRACÇÃO
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27.11.05

Friamente, a neve cai no interior. Deve haver gelo na curva da fonte. Imagino. Desde a tua partida, nunca mais lá passei. E, no entanto, pelo meio do frio e da névoa, estes eram os momentos mais quentes dos Invernos anteriores. Subiamos os dois até ao Alto da Costela, bem no coração do bréu. Lá em cima, o vapor a saltar da boca e o olhar perdido no céu riscado pelos focos da Twin's e da Inox. Tu, distraído, farejas as bordas do cruzamento. De regresso, eu levava lenha para a lareira, tu deitavas-te no sofá, a Michelle lia os seus mil livros. Fazia-se um chá de melissa, ouviamos o fogo e eu partia em viagem pela net. Num território que me era estranho, também com a tua ajuda, sentia-me tranquilo, seguro, longe, mas em casa. Está muito frio esta noite, mas tu não o deves sentir. Acreditando nas teorias da purificação das espécies, já deves ter regressado e estás agora, muito quentinho, algures num palácio onde te rodeiam de cuidados. Espero que te amem incondicionalmente, como mereces e tão bem sabias fazer.
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Francisco em 27.11.05
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